Colóquio
António Joaquim Esteves
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A globalização, para além de processo em curso num regime de tensão entre movimentos contrários – relação aos territórios, uso dos Estados-nação, hegemonia financeira sobre outras dimensões, etc. – é representada tantas vezes como a mais conseguida aproximação ao “universalismo” da humanidade. Sob esse registo, porém, fica oculto o simulacro do “universalismo” do capitalismo financeiro em que a organização económica hegemónica se transformou nas últimas décadas do século vinte até à sua mais recente e mais profunda crise.

A tentação maior em que hoje se pode cair, no momento de reagir à pretensa autonomia d(est)a economia, é desvincular os elementos fundamentais do imprescindível quadro normativo da interacção que entre eles deve ocorrer para impulsionar o curso das sociedades para horizontes que não se fixem na soberania do(s) mercado(s) ou na cultura do consumo obsessivo, sem cuidado pela segurança e paz entre os povos e pela igualdade entre os cidadãos numa sociedade de vida decente.

O balanço da narrativa histórica das “repúblicas” modernas, embora marcado pela modéstia de seus resultados, compagina-se, porém, com a recente e surpreendente recuperação da “utopia republicana” no contexto polarizado pelas ideologias neo-liberais e comunitaristas da filosofia política. As mediações indispensáveis à sua concretização, sempre inacabada, vemo-las, ainda, ao nível político, na composição complementar da democracia deliberativa do cosmopolitismo com o pluralismo agonista institucional, e, ao nível ético, no quadro interdisciplinar de uma “ética fiduciária” onde o futuro das gerações - com o melhor das conquistas presentes e sem os riscos mais ameaçadores - se torne modelo regulador.

 

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17.11.2010